Fundo Rubem Valentim Fundo

Identificadorfrv
TipoFundo
Data limite Data inicial: 1930
Data final: 2007
Tipo de suportePapel
Filme
Fita magnética
História administrativa/biografiaRubem Valentim (Salvador, Brasil, 1922 - São Paulo, Brasil, 1991) foi um artista visual baiano, grande defensor de uma produção brasileira “genuína”, calcada na valorização de suas origens, tradições e manifestações populares.  A sua produção, reconhecida pelas composições geométricas e o uso de cores contrastantes em pinturas, gravuras, relevos e esculturas, é o resultado desse posicionamento político que reelabora e sintetiza as referências dos ritos, símbolos e signos afro-atlânticos.

Apesar de Valentim explicitar claramente as suas ideias em artigos e entrevista, "Um dos importantes aspectos negligenciados pelos críticos e historiadores diz respeito a um entendimento político de sua obra [...] apartando das reflexões os sentidos religioso, espiritual e social, portanto político, que são parte integrante da conformação de seus trabalhos e de sua vida como artista" (Oliva, 2018, p.18).

 As referências do trabalho manual e artesanal e as manifestações populares, estavam presentes no cotidiano de Valetim desde a sua infância. Morador da região do Centro Histórico de Salvador, aprendeu a pintar com artesãos, e acompanhando o pai, conheceu os terreros de candomblé.

Na década de 1940, assumiu diferentes ocupações profissionais para sustentar as suas atividades artísticas. Engressou no Centro de Preparação dos Oficiais de Reserva, que marcou a sua consciência racial e politização. Em 1946, formou-se em odontologia pela Universidade da Bahia, mas optou pela carreira artística e se juntou ao movimento modernista bahiano, integrado por Mário Cravo Júnior (1923-2018), Carlos Bastos (1925-2004), Raimundo de Oliveira (1930-1966), Jenner Augusto (1924-2003) Lygia Sampaio, Wilson Rocha, Cláudio Tavares e Vasconcelos Maia (1923-1988). Frequentou também a Escola de Belas Artes e o curso de jornalismo na Faculdade de Filosofia da Bahia, ampliando a sua formação histórica e crítica.

Intrigado com o peso da influência das correntes artísticas européias no Brasil, desenvolveu uma linguagem artística que defendeu como brasileira. Aproximou-se da abstração e da geometria e sintetizou os elementos da cultura popular e, posteriormente, a estética e o ritmo do candomblé. Em 1949, participou do 1º Salão Baiano de Belas Artes no qual apresentou a sua primeira obra abstrata. 

Na década de 1950, participou intensamente de mostras e salões. Em 1954, realizou a sua primeira exposição individual no Palácio do Rio Branco, em Salvador, e, nos anos seguintes expôs fora da Bahia. Em 1955, na 3ª Bienal de São Paulo e no 5º Salão Nacional de Arte Moderna, em 1956, no Rio de Janeiro, para onde se mudou posteriormente. 

No Rio de Janeiro, aproximou-se de críticos de arte, galeristas e outros artistas, que o apresentaram ao construtivismo. Além disso, em 1948, conheceu Lúcia Alencastro (1921-1996), arte-educadora e co-fundadora da Escolinha da Arte do Brasil, com quem se casou em 1961. Lúcia sempre apoiou Valentim e foi uma das responsáveis por manter reunido o arquivo do artista e promover a preservação de sua memória.

Além do Rio de Janeiro, Valentim morou em diversas cidades. Em 1963, foi para Bristol, acompanhando Lúcia que obteve uma bolsa de estudos. No ano seguinte mudou-se para Roma, retornando ao Brasil em 1966. Em 1967, passou a residir em Brasília quando assumiu o cargo de docente no Instituto Central de Arte na Universidade de Brasília. A partir de 1982, transitou entre Brasília e São Paulo.

Participou de muitos salões e exposições nacionais e internacionais. Em 1962, suas obras participaram da 31º Bienal de Veneza e de uma exposição coletiva na Casa do Brasil, em Roma, alcançando reconhecimento internacional. Em 1965, na mesma entidade, realizou uma exposição individual, e participou da mostra coletiva Alternative Attuali/2 em Áquila. Durante a sua estadia na Itália, aproximou-se do crítico de arte Giulio Carlo Argan (1909-1992), que declarou sobre a produção de Valentim: “[...] o que sua pintura, em última análise, quer demonstrar é que nas atuais concepções do espaço e do tempo os símbolos e os signos de uma experiência antiga, ancestral, conservam uma carga semântica, não inferiores à geometria petagórica ou euclediana” (1970, s.p.).

Integrou a delegação brasileira no Premier Festival Mondial des Arts Nègres, em Dakar, em 1966, e no 2º Festival Mundial de Arte e Cultura Negra e Africana realizado na Nigéria em 1977. Além disso, as suas produções foram selecionadas para as mostras na Alemanha, Canadá, Chile, Colômbia, Itália, Japão e Nigéria.

Nas décadas de 1960 e 1970, o reconhecimento de seu trabalho resultou na conquista de diversos prêmios. Em 1958, obteve o Prêmio de Aquisição no 7º Salão Nacional de Arte Moderna e o de isenção de júri e o Prêmio de Aquisição da Federação Nacional de Indústria no 9º Salão Nacional de Arte Moderna em 1960. Já em 1962, foi contemplado com dois importantes reconhecimentos: a sua mostra individual, realizada na Galeria Relevo, foi premiada como a melhor do ano pela Associação Brasileira de Crítico de Arte, e no 11º Salão Nacional de Arte Moderna, recebeu o Prêmio de Viagem ao Exterior.  Em 1967, na 9ª Bienal Internacional de São Paulo, recebeu o Prêmio Itamaraty, e, quase dez anos mais a frente, na Bienal Nacional 76 o Prêmio Fundação Bienal de São Paulo em 1976. Alcançou o Prêmio viagem à Europa no 1º Salão Global da Primavera, em 1973, e o Grande Prêmio MAM-SP no 7º Panorama de Arte Atual Brasileira em 1975.

Enquanto residia em Brasília, na dédada de 1970, Valentim empreendeu grandes esforços para fundar o Centro Cultural Rubem Valentim, entidade que adotaria funções museológicas e educativas. Ciente da falta de espaços culturais e de formação artística na capital do país, a proposta era a de oferecer um espaço, fora do eixo Rio de Janeiro - São Paulo, que promovesse a reunião, preservação, exposição e divulgação de suas obras e as de outros artistas visuais, e ao mesmo tempo, que estimulasse o desenvolvimento da produção da arte visuais brasileira.

As reflexões e explanações de Valentim sobre a sua produção artística e uma arte brasileira foram melhores desenvolvidas em seu Manisfesto ainda que tardio, apresentado no I Encontro de Artistas Plásticos do Nordeste, em 1968, e posteriormente publicados em catálogos. 

Longe de se opor às tendências artísticas internacionais, opunha-se ao colonialismo e a subverniência. Colocava que “A arte, é tanto uma arma poética para lutar contra a violência como um exercício de liberdade contra forças repressivas”. E sobre o desenvolvimento da arte brasileira afirmava: “A iconologia afro-ameríndia-nordestina-brasileira está viva. É uma imensa fonte - tão grande quanto o Brasil - e devemos nela beber com lucidez e grande amor” (Valentim, 1968).  

E com essa compreensão desenvolveu uma produção que chamou de “Riscadura Brasileira”. Inicialmente, influenciada pela arte popular brasileira amadureceu para a incorporação dos ritmos, objetos e signos do candomblé sintetizadas em formas geométricas: “[...] tenho impressão de que criei e construí uma estrutura totêmica, um ritmo, uma simetria, um emblemática, uma heráldica, um hieratismo, uma SEMIÓTICA/SEMIOLOGIA NÃO VERBAL, VISIVEL” (1968) .

Em 2018, o MASP realizou a exposição biográfica Rubem Valentim: construções afro-atlânticas dentro da programação dedicada a refletir sobre as histórias entre os fluxos e refluxos entre a África as Américas e a Europa através do Atlântico, que fechou com a exposição Histórias Afro-atlântica.
História arquivísticaEm 2018, MASP realizou a exposição Rubem Valentim: construções afro-atlânticasque reuniu 90 obras entre pinturas, esculturas e gravuras.

Como desdobramento da mostra, o Instituto Rubem Valentim efetuou a doação do arquivo do artista, ao MASP, em dois momentos. O primeiro ocorreu, ainda no primeiro trimestre de 2019, com a aquisição de aproximadamente 10.000 documentos de diversos gêneros (textual, fotográfico, audiovisual, desenhos e objetos). Em 2022, durante o processamento técnico do Fundo Rubem Valentim foi efetuada a doação de volta 5.300 registros entre documentos textuais, fotografias e audiovisual.
ProcedênciaDoado pelo Instituto Rubem Valentim em 2019 e 2022
Âmbito e conteúdoO Fundo Rubem Valentim é composto por documentos pessoais e registros da atuação artística, intelectual e acadêmica do artista. Reúne aproximadamente 8.840 documentos textuais (manuscritos, anotações, artigos datilografados, correspondências, contratos, diplomas, recortes de jornais entre outros); 14 cadernos de esboços e desenhos; 10.213 documentos iconográficos (ampliações, negativos e diapositivos que registram momentos de sua vida pessoal, atividades no ateliê, exposições e as obras); 65 itens audiovisuais com gravações de entrevistas e depoimentos; e um acervo bibliográfico de 91 itens (catálogos e livros sobre arte brasileira, arte africana e religiões de matriz africana).

Total: aproximadamente 20.000 itens
Entidades relacionadas

Valentim, Rubem, 1922-1991 (Produtor)

Valentim, Lúcia, 1921- (Produtor)

Descritores de Assunto Artistas afro-brasileiros
Arte brasileira
Arte e Cultura popular
Candomblé
Descritores geográficos Brasil
Itália
Nigéria
Senegal
Estados Unidos
Descritores de eventos Rubem Valentim : Construções Afro-Atlânticas (2018)
ReferênciasARGAN, Giulio Carlo. Rubem Valentim. In: 31 objetos emblemáticos e relevos emblemas de Rubem Valentim. Brasília: Secretaria da Educação e Cultura, 1970. [catáogo de exposição]
OLIVA, Fernando; PEDROSA, Adriano (org). Rubem Valentim: construções afro-atlânticas. São Paulo: MASP, 2018, 288p. [catálogo]
MASP. Rubem Valentim: construções afro-atlânticas. In: MASP. Disponível em: https://masp.org.br/exposicoes/rubem-valentim [site]
VALENTIM, Rubem. Manisfesto ainda que tardio. In: I Encontro de Artistas Plásticos do Nordeste, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1968. Documento Fundo Rubem Valentim do Acervo do Centro Pesquisa do Museu de Arte Assis Chateaubriand
Status do AcervoEm processamento
Condições de acessoAgendamento prévio com o Centro de Pesquisa para a consulta da documentação.
Contato: centrodepesquisa@masp.org.br

Arranjo 8 registros

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